Parecia tudo tão distante, sentia-me
tão sozinha, mesmo estando rodeada de dezenas ou até centenas de pessoas que
pareciam máquinas de um lado para o outro.
Todas elas pareciam tão certas do
rumo a seguir, umas corriam outras falavam ao telemóvel transmitindo certeza no
que diziam.
Eu era diferente, estava ali sentada
naquela esplanada a olhar ao vento as salgadas ondas que iam rebentando
sonoramente nas pequenas dunas de areia.
Tudo mudou quando, para meu espanto,
vi um homem que se assemelhava a mim, também sozinho naquele mundo. Esta figura
diante de mim era mais velha, tinha uma cara maltratada. Talvez, cicatrizes dos
males que a vida lhe reservara - pensei eu enquanto me dirigia para a sua mesa.
-Posso?
-Claro que sim, menina, sente-se!
O homem estava a ler um livro. Com
curiosidade, tomei a ousadia de o interpelar:
-O que lê, tão concentrado?
-Trata-se do livro que me ajuda a
tomar as decisões da minha vida.
O homem levantou-se deu-me o livro e
disse:
-Fica com ele, agora ajudar-te-á a
ti.
A verdade é que se tratava de um
livro de Fernando Pessoa, um livro de poemas que agora me deixa também ser uma
pessoa segura de si e a saber o seu respetivo rumo.
( Elaborado no teste intermédio de português 2013)
Catarina Ferreira nº4 9ºE
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